terça-feira, 6 de março de 2012

Décimo Terceiro - Um "presente" do Governo


Décimo Terceiro
Um "presente" do Governo

O instituto do décimo terceiro salário foi criado no Governo de João Goulart em julho de 1962 com o objetivo de desinflamar o proletariado que estava a beira de um ataque de nervos com a Administração por melhorias salariais e também alinhar o volume monetário em época de grande apelo sentimental que é o Natal. É importante destacar que o Governo ansiava por uma solução agradável também para a classe empresarial.

Em vista desse cenário foi elaborada a criação do 13º salário. Invenção esta de máxima inteligência que até nos dias de hoje é festejada como um presente dos deuses. O destaque do adjetivo “máxima inteligência” se deve ao fato de ser um truque financeiro. Ao olharmos o 13º sem a devida atenção e como é de costume, o bom brasileiro não presta a atenção e o faz de maneira contumaz, o dito presente aparece como mágica ou mesmo um presente natalino na conta bancária.

Agora se nos atentarmos em comparar o sistema trabalhista com o de outros países e utilizarmos um pouco de matemática veremos uma maquinação trabalhista recorrente em nossos holerites tupiniquins.

Vamos ao cálculos para melhor entender o mecanismo. Em alguns países o salário é contabilizado semanalmente enquanto o brasileiro é mensal. Se um trabalhador ganha R$ 1.000,00 por mês e sendo que em alguns meses do ano o mês tem quatro semanas e em outros tem cinco fica claro que o salário semanal varia entre R$ 250,00 e R$ 200,00.

Para facilitar o entendimento vamos considerar que cada mês tenha 4 semanas e o salário semanal seja de R$ 250,00 ao final de um ano o trabalhador terá recebido (12 meses * 4 semanas * R$ 250,00 por semana) o total de R$ 12.000,00.

Acontece que o ano tem 52 semanas e no cálculo acima a pessoa trabalhou 48 semanas e ficou uma diferença de 4 semanas que ao ser multiplicada pelo salário semanal dará um valor de (4 semanas X R$ 250,00) R$ 1.000,00 que corresponde exatamente com o benfazejo décimo terceiro.

Ao tomar uma ducha fria da racionalidade em cima da quentinha emoção de receber o 13º vem a dura e triste constatação que estamos sendo ludibriados pelo o nosso bondoso Estado.

O aparelho maquiavélico aparece quando o trabalhador em um mês de 5 semanas trabalhou ele inteiro, mas só recebeu como se fosse um de quatro “sem o trocadilho da expressão”. Esta sobra de uma semana vai ser paga no final do ano sem juros e correção. Até lá, a empresa ou o Estado aplicam o seu suado dinheirinho e o devolve com toda a pompa que o momento lhe confere. É Natal. É festa !!!

Agora você preferiria ser contabilizado semanalmente com a “crueldade” de não ter mais o 13º ou com o critério mensal e mais o “lindo” presente natalino ?