Décimo Terceiro
Um "presente" do Governo
O instituto do décimo terceiro salário foi criado no Governo de
João Goulart em julho de 1962 com o objetivo de desinflamar o proletariado que
estava a beira de um ataque de nervos com a Administração por
melhorias salariais e também alinhar o volume monetário em época
de grande apelo sentimental que é o Natal. É importante destacar
que o Governo ansiava por uma solução agradável também para a
classe empresarial.
Em vista desse cenário foi elaborada a criação do 13º salário.
Invenção esta de máxima inteligência que até nos dias de hoje é
festejada como um presente dos deuses. O destaque do adjetivo “máxima
inteligência” se deve ao fato de ser um truque financeiro. Ao
olharmos o 13º sem a devida atenção e como é de costume, o bom
brasileiro não presta a atenção e o faz de maneira contumaz, o
dito presente aparece como mágica ou mesmo um presente natalino na
conta bancária.
Agora se nos atentarmos em comparar o sistema trabalhista com o de
outros países e utilizarmos um pouco de matemática veremos uma
maquinação trabalhista recorrente em nossos holerites tupiniquins.
Vamos ao cálculos para melhor entender o mecanismo. Em alguns
países o salário é contabilizado semanalmente enquanto o
brasileiro é mensal. Se um trabalhador ganha R$ 1.000,00 por mês e
sendo que em alguns meses do ano o mês tem quatro semanas e em outros tem cinco fica claro que o salário semanal varia entre R$ 250,00 e R$
200,00.
Para facilitar o entendimento vamos considerar que cada mês tenha 4
semanas e o salário semanal seja de R$ 250,00 ao final de um ano o
trabalhador terá recebido (12 meses * 4 semanas * R$ 250,00 por
semana) o total de R$ 12.000,00.
Acontece que o ano tem 52 semanas e no cálculo acima a pessoa trabalhou 48 semanas e ficou uma diferença de 4 semanas que ao ser multiplicada
pelo salário semanal dará um valor de (4 semanas X R$ 250,00) R$
1.000,00 que corresponde exatamente com o benfazejo décimo terceiro.
Ao tomar uma ducha fria da racionalidade em cima da quentinha emoção
de receber o 13º vem a dura e triste constatação que estamos
sendo ludibriados pelo o nosso bondoso Estado.
O aparelho maquiavélico aparece quando o trabalhador
em um mês de 5 semanas trabalhou ele inteiro, mas só recebeu como se fosse um de
quatro “sem o trocadilho da expressão”. Esta sobra de uma semana
vai ser paga no final do ano sem juros e correção. Até lá, a
empresa ou o Estado aplicam o seu suado dinheirinho e o devolve com
toda a pompa que o momento lhe confere. É Natal. É festa !!!
Agora você preferiria ser contabilizado semanalmente com a
“crueldade” de não ter mais o 13º ou com o critério mensal e
mais o “lindo” presente natalino ?
